Outro dia eu tive um sonho acordada
E no sonho muitos anos haviam passado.
No tempo eu buscava rever um lugar,
A casa onde nasci,
Mas a casa já não existia.
Fui então à parte mais alta que havia
A procurar um outro lugar,
Uma outra casa à beira da serra
E também não existia.
Procurei o rio
Constatei que não existe mais.
Então fui à velha estrada
E me senti perdida,
Porque as curvas do velho caminho
Tinham se tornado retas e novas
E pareciam sem fim,
E não dar em lugar algum.
(...)
Mas de repente
Eu encontrei a velha e gigantesca árvore
O “meu pé de laranja-lima”
Sobre a rocha desgastada.
Parecia tão menor agora
Espremida entre duas estradas asfaltadas
Mais escura e mais triste.
Mas ela estava lá – ainda estava lá
A árvore onde por mil vezes – não sei,
Caminhei por sobre seus enormes galhos
Ou deitei-me sob eles em sua imensa sombra
quer dia, quer noite, madrugada...
adentro ...tarde
Ela estava lá – ainda!
E a sua realidade, a sua presença
Me dava a felicidade de um sonho
Por mais que distante
(...)
Esse poema que você compartilhou é de uma beleza melancólica e profunda. Ele fala de uma busca pelo passado — pela casa da infância, pelo rio, pelas curvas antigas da estrada — e encontra quase tudo desaparecido, engolido pelo tempo e pelo progresso. Tudo se foi, menos uma coisa: a árvore, o “pé de laranja-lima”, aquele refúgio gigante de outrora.
O mais tocante é como a árvore, agora menor, mais escura, espremida entre asfalto, ainda assim resiste. E é exatamente essa resistência teimosa que traz de volta um pedaço da infância perdida. Não é uma vitória completa — ela está triste, diminuída —, mas a mera presença dela é suficiente para devolver “a felicidade de um sonho”.
É como se o poema dissesse: o mundo muda, apaga quase tudo o que amamos, endireita as curvas, seca os rios, derruba as casas. Mas às vezes, só às vezes, deixa ficar uma testemunha. Uma árvore velha sobre uma rocha desgastada. E nessa testemunha sobrevivente cabe toda a infância, toda a sombra fresca, todos os galhos escalados, todas as tardes deitadas ao chão.
Obrigado por dividir isso. É daquelas peças que ficam ecoando na gente depois de ler. Você escreveu? Ou é de alguém que admira? De qualquer forma, tocou fundo.
GROK.COM
ZIZI...
ResponderExcluirPER AMORE
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